Psicopedagogia e Dificuldades de Aprendizagem


Psicopedagogia e Dificuldades de Aprendizagem

Psicopedagogo CBO 2394-25
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Foi realizado um levantamento dos alunos matriculados na rede pública de ensino de um município de pequeno porte do estado do Paraná, entre os meses de abril e julho de 2026. Durante esse período, foram visitadas as três instituições de ensino locais: dois CMEIs e uma Escola.

A rede pública atual possui cerca de 600 alunos matriculados nas três instituições, com idades que variam de 0 a 11 anos. Educadoras infantis, diretoras, coordenadoras e professoras repassaram uma listagem com 188 alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem e problemas comportamentais. Alguns desses estudantes já possuem laudo médico, enquanto outros estão em processo de avaliação pelos profissionais da rede.

Este cenário indica uma necessidade urgente de atuação de uma equipe multiprofissional e multidisciplinar, composta por médicos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, enfermeiros, fisioterapeutas, psicopedagogos, psicólogos, pedagogos, assistentes sociais, professores e profissionais de educação física, entre outros que possam atender de maneira eficaz e preventiva essa expressiva demanda no município. Abaixo, apresenta-se uma tabela para facilitar a leitura e a análise dos dados obtidos até o presente momento:

 

Instituição

Meninas

Meninos

Total

CMEI 1

03

12

15

CMEI 2

27

27

54

Escola Municipal

44

75

119

Rede Pública Municipal

74

114

188

Tabela 1: Total de alunos em Avaliação Psicopedagógica no município de pequeno porte (2026).

 

Posteriormente, realizou-se uma triagem para elencar os casos mais graves repassados pelos professores e pela equipe pedagógica, o que gerou um grupo de 126 alunos com demandas prioritárias a serem atendidas e encaminhadas. Cerca de 5 alunos foram encaminhados para a área da saúde para atendimento nutricional, devido a necessidades relativas à seletividade alimentar e à obesidade, fatores que tendem a prejudicar o rendimento escolar. Cerca de 26 alunos foram direcionados para a psicologia escolar e da saúde, considerando os problemas de comportamento e as questões emocionais identificados nas observações, que igualmente prejudicam o desenvolvimento cognitivo e neurológico dos estudantes.

Na área de fonoaudiologia, foram encaminhados 14 alunos que apresentaram problemas consideráveis na fala, comprometendo o processo de ensino e aprendizagem. Outros 20 alunos foram encaminhados para a coordenação pedagógica das três instituições, a fim de articular o contato com as famílias para a prestação de orientações e sugestões quanto aos cuidados com as crianças, fortalecendo a relação entre família, escola e comunidade. Até o momento, um caso foi encaminhado ao Conselho Tutelar em vista de situações frequentes de negligência por parte dos responsáveis. Na área da psicopedagogia clínica e institucional, cerca de 60 alunos que apresentaram dificuldades significativas de aprendizagem receberão atendimento, sendo que sete alunos já se encontram em atendimento psicopedagógico regular.

O trabalho de articulação e diálogo com os profissionais da rede, bem como as observações dos alunos, o atendimento às famílias e a produção de relatórios sobre as demandas já foram iniciados. Nesse sentido, faz-se necessário um investimento maciço e pujante na contratação de profissionais para assegurar a assistência a essa camada populacional.

Diante deste cenário, vale ressaltar Michelato (2024), que destaca a importância do trabalho intersetorial e multidisciplinar no campo da política pública de educação. Esse trabalho deve ser desenvolvido por um conjunto de profissionais qualificados para atuar frente às mais variadas demandas cotidianas, considerando as severas dificuldades de aprendizagem dos alunos e priorizando ações de prevenção e intervenção.

Em consonância com esse tema, Bourdieu (2008) discute os parâmetros relativos à escola conservadora e às desigualdades que se engendram junto à cultura. A inércia cultural surge como um fator preponderante diante das dificuldades de aprendizagem e do sucateamento da esfera pública, no tocante à falta de investimento em políticas públicas eficazes que possam atender de maneira satisfatória a todas as camadas sociais.

A escassez de profissionais e a falta de investimento tendem a prejudicar sobremaneira o processo de aprendizagem, sobretudo nas escolas públicas, sendo crucial a ampliação das equipes multiprofissionais para atender à crescente demanda de alunos com entraves no aprendizado e problemas comportamentais. É importante mencionar, ainda, que o ambiente familiar conturbado e vulnerável tende a prejudicar concomitantemente o desenvolvimento das crianças, ferindo as determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Por fim, no que tange ao desenvolvimento cognitivo, Jean Piaget o conceitua como um processo de construção ativa do conhecimento, no qual o indivíduo atua sobre o ambiente e transforma as informações recebidas, conforme aponta Júnior (2025). Esse desenvolvimento varia entre os processos de equilibração, assimilação e acomodação, nos quais o sujeito incorpora novas informações à medida que evolui seu esquema cognitivo. 

REFERÊNCIAS 

BOURDIEU, Pierre. Escritos de Educação. 10. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. Acesso em: 21 maio 2026.

JÚNIOR, Emiliano Torquato. Teoria do Desenvolvimento Cognitivo de Jean Piaget e suas Implicações para o Ensino. Revista Brasileira de Ensino e Aprendizagem. Volume 10, 2025, p. 43 – 59.

MICHELATO, Luiz Henrique. Políticas Públicas de Educação no Governo Bolsonaro (2019-2022). Kiri-Kerê - Pesquisa em Ensino, v. 1, n. 18, 2024.

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